• Terça-feira, 12 de maio de 2026

‘Café fake’ na mira: ABIC promove seminário sobre defesa do consumidor de café em MG

Evento em Belo Horizonte reúne autoridades públicas e setor produtivo para discutir combate a fraudes, qualidade do café e fortalecimento de parcerias institucionais

Com o objetivo de blindar o mercado contra irregularidades e garantir a pureza da bebida preferida dos brasileiros, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) realiza, nesta terça-feira (12), o seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas”. O encontro ocorre das 9h às 12h, na sede da FIEMG, na capital mineira.

O evento é fruto de uma parceria estratégica entre a ABIC, o Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais (SINDICAFÉ-MG) e a Associação Mineira de Supermercados (AMIS). O foco é traçar estratégias coordenadas para combater o avanço de "cafés fake" e adulterações que surgiram após as altas de preços causadas por fatores climáticos e geopolíticos nos últimos anos.

A iniciativa em Minas Gerais é inspirada em um projeto piloto bem-sucedido no Rio de Janeiro, que resultou em apreensões massivas de produtos irregulares. Segundo Pavel Cardoso, presidente da ABIC, a Portaria 570, em vigor desde 2023, mudou o patamar da fiscalização no país.

"No Rio de Janeiro, conseguimos alinhar todos os órgãos públicos e, em uma primeira ação em 2025, apreendemos mais de 16 toneladas de café. O resultado foi sensacional: em menos de seis meses, tivemos uma redução drástica de fraudes. Hoje, não há mais supermercados no Rio que comprem café sem certificação ABIC. Queremos espelhar esse marco para o restante do Brasil", afirmou Cardoso.

O presidente da ABIC destaca ainda que a meta é a agregação de valor. "O Brasil produz 40% do café do mundo, mas ficamos com pouco mais de 3% da receita global. O caminho é a excelência e a exportação do café industrializado, aproveitando acordos como o da União Europeia com o Mercosul."

Minas Gerais, como o maior estado produtor do país, assume o protagonismo na defesa da qualidade. Sérgio Meirelles, presidente do SINDICAFÉ-MG, ressalta que as entidades não hesitam em punir quem descumpre as normas éticas.

"Nós penalizamos e até expulsamos associados que não têm práticas adequadas. Aquele que não pratica a qualidade não merece estar em nossos quadros. O consumidor é nosso bem maior", enfatizou Meirelles.

Sobre o desafio de equilibrar preço e qualidade em tempos de inflação, Meirelles é enfático: "Milagre não existe. Quando o preço sobe, surgem firmas clandestinas oferecendo produtos duvidosos. Mas estamos entrando em uma safra recorde este ano, o que já fez o preço cair cerca de 25%, aumentando a oferta de produto bom para o consumidor."

Para o setor produtivo, a defesa do consumidor começa antes mesmo da torra. Hemerson Bovi, presidente da Comissão do Café da FAEMG, defende que a responsabilidade é de toda a cadeia.

"O produtor rural é o primeiro elo. Trabalhamos com rastreabilidade e sustentabilidade para entregar o que o consumidor exige: transparência. Queremos acabar com o mito de que o melhor café é apenas para exportação; queremos que os brasileiros bebam o que há de melhor aqui", afirmou Bovi.

O seminário conta com painéis técnicos envolvendo o Ministério Público (Procon-MG), o IMA-MG, o Ministério da Agricultura (MAPA) e a Vigilância Sanitária (SES-MG).

Por: ITATIAIA

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