O mercado de café encerra a segunda dezena de abril marcado por instabilidade, mas com uma tendência clara de retração nos preços. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de queda atinge tanto as variedades arábica quanto robusta, impulsionado pela proximidade da colheita e por incertezas nos cenários geopolítico e cambial.
A queda é mais acentuada para o café conilon (robusta). Na parcial deste mês (até o dia 20), o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 registra média de R$ 903,90 por saca. Este valor representa a menor cotação em termos reais, ou seja, corrigida pela inflação, desde março de 2024. O recuo é significativo, com o preço atual operando 11,55% abaixo da média registrada em março de 2026.
Segundo os pesquisadores do Cepea, essa desvalorização acentuada do robusta ocorre porque suas atividades de colheita estão mais próximas de ganhar ritmo do que as do arábica, aumentando a pressão sobre os preços.
Para o café arábica, o cenário também é de desvalorização. O Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 (bebida dura para melhor) apresenta média parcial de R$ 1.824,91 por saca.
O valor é 4,6% inferior à média de março de 2026, o que representa uma perda nominal de R$ 88,98 por saca. Esta é a menor cotação registrada desde julho de 2025, período que marcou o auge da safra nacional anterior.
Além da entrada da nova safra, o Cepea destaca que fatores externos têm intensificado o sobe e desce das cotações. As tensões geopolíticas globais e as oscilações do câmbio influenciam diretamente a competitividade das exportações brasileiras e o apetite dos investidores, reforçando o quadro de incerteza para o fechamento do mês de abril.





