• Segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Brasil e aliados de esquerda criticam controle da Venezuela pelos EUA

Governo Lula assina nota com Chile, Colômbia, México, Espanha e Uruguai para rechaçar a operação militar.

O governo brasileiro anunciou neste domingo (4.jan.2026) uma nota conjunta com o Chile, Colômbia, México, Espanha e Uruguai para rechaçar a operação militar dos Estados Unidos que capturou o presidente deposto Nicolás Maduro, na madrugada do sábado (3.jan). A manifestação critica qualquer tentativa dos EUA de controlar o governo venezuelano ou explorar seus recursos naturais.

Os 6 países, governados por partidos ligados à esquerda, consideram que a ação do governo de Donald Trump contraria os “princípios fundamentais do direito internacional” e é um “ataque à soberania da Venezuela”. Leia a íntegra.

“Manifestamos nossa preocupação ante qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que resulta incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região”.

A nota afirma que a situação política da Venezuela deve ser resolvida pelo povo venezuelano, “sem ingerências externas e em apego ao direito internacional”. “Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”, afirma.

A manifestação também diz que a operação dos EUA estabelece um precedente perigoso para a paz e a segurança regional. Os países defendem que a secretaria-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e os demais estados integrantes dos organismos multilaterais atuem para deter tensões na região.

Na tarde deste domingo (4.jan), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) para discutir a situação da Venezuela. No encontro, o chanceler da Venezuela, Yvan Gil, pediu aos países que exijam a imediata libertação do presidente deposto Nicolás Maduro. “Hoje foi a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país que decida exercer a sua soberania”, afirmou.

Embora a reunião tenha sido fechada, o discurso dos chanceleres da Venezuela e de Cuba foram transmitidos pelo canal de televisão Telesur, que é financiado pelos governos destes países e da Nicarágua.

No entanto, segundo apurou o Poder360, a reunião encerrou sem uma posição concreta entre os 33 países que integram a Celac e limitou-se a uma manifestação de cada governo sobre como entende a ação dos EUA na Venezuela.

Enquanto Brasil, Colômbia, México e Uruguai reproduziram a leitura crítica aos ataques, outros países, como Argentina, veem que a operação do governo dos EUA foi positiva, saudaram a captura de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. O chanceler argentino, Gerardo Werthein, não esteve presente, e o país foi representado por outro funcionário da chancelaria.

Ainda sobre a reunião ministerial, os países não chegaram a se manifestar sobre reconhecer Delcy Rodríguez, então vice-presidente, como presidente-interina da Venezuela. Na manhã de domingo, a Suprema Corte do país determinou que Rodríguez assuma imediatamente as funções presidenciais enquanto Maduro permanece detido.

No sábado (3.jan), a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, declarou que, na ausência de Nicolás Maduro, o Brasil reconhece a vice, Rodríguez, como presidente-interina da Venezuela.

Para a reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), este jornal digital apurou que o embaixador Sérgio Danese, representando o governo brasileiro, deve reforçar a posição conjunta do Brasil com os 5 países.

Segundo integrantes do Itamaraty, o país seguirá contrário à “invasão territorial” e ao “ataque à soberania” pelos EUA. Segundo ela, o governo brasileiro pretende apresentar sua posição na reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), convocada para esta 2ª feira (5.jan) no turno da manhã.

Segundo o governo federal, na ausência de Nicolás Maduro, o Brasil reconhece a vice, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

G20

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

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Por: Poder360

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