A China é um dos países mais afetados pelo bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. Além de maior consumidora -importou 11,5 milhões de barris por dia, segundo dados chineses– , é destino de 37,7% do petróleo que atravessa a rota marítima no Oriente Médio.
Segundo a EIA (Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos), dos 14,3 milhões de barris que passam pelo Estreito de Ormuz por dia, 5,4 milhões têm a China como destino. Isso equivale a pouco menos da metade das importações de petróleo da China. Os dados são referentes ao 1º semestre de 2025.
Além de ser impactada com o aumento no preço do barril, o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã também bloqueia rota essencial para a economia chinesa. A China tem boas relações com o Irã e a própria EIA diz que o país asiático mascara suas compras de petroleiros iranianos para driblar sanções.
Acontece que o bloqueio é um ato estratégico do Irã para pressionar os EUA: ao ameaçar bombardear navios que passem pelo estreito, o país ganha vantagem em negociações de paz, pois imediatamente chama países dependentes da rota para pressionar por um cessar-fogo. Além da China, outros afetados são Índia, Japão e Coreia do Sul.
A situação indiana também é delicada. O país importa 90% do petróleo que consome e pouco menos da metade do óleo que compra do exterior atravessa o Estreito de Ormuz.

O Japão é outro país fragilizado pelo fechamento. De olho na situação do Oriente Médio, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi (PLD, direita), fez um discurso ao parlamento na 2ª feira (2.mar.2026) em que afirmou que o país tem reservas de petróleo suficientes para 254 dias de consumo.
Como principal afetada, a diplomacia chinesa tem sido uma das mais enérgicas para encerrar tanto o ataque da aliança EUA-Israel quanto as retaliações iranianas a outros países do Oriente Médio. O chanceler chinês, Wang Yi, já conversou com representantes de Rússia e França para que pressionem juntos os EUA no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Diante do risco, centenas de navios ancoraram no Golfo Pérsico e empresas de navegação redirecionaram rotas. Segundo dados da consultoria Kpler, o tráfego total no estreito caiu cerca de 75% até o fim de sábado (28.fev) em comparação com o dia anterior –a maior interrupção comercial na região desde a pandemia.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao oceano aberto e é considerado um dos principais gargalos logísticos do setor energético global. Cerca de 25% do comércio de petróleo passa pela região. A rota também é essencial para o abastecimento global de GNL (Gás Natural Liquefeito).
Qualquer ameaça à circulação de petroleiros na área tende a provocar reação imediata nos preços, diante do risco de desabastecimento e de pressão inflacionária nos países importadores.
O fechamento também atinge em cheio as economias do Oriente Médio –muitas são dependentes da exportação de petróleo e escoam sua produção pelo Estreito de Ormuz.
Maior produtora mundial de petróleo, a Arábia Saudita é quem tem o escoamento mais ameaçado em termos de volume total. Os sauditas contam com uma outra rota de escoamento que não depende de Ormuz, assim como os Emirados Árabes Unidos. Ambos os países possuem oleodutos prontos para driblar o gargalo. Qatar, Kuwait e Iraque são mais vulneráveis ao bloqueio.






