CUIABÁ, MT – O médico Dr. Marcelo Sandrim emitiu um grave alerta à população sobre o uso de uma nova modalidade de consumo que vem ganhando espaço no mercado global: os sachês de nicotina (conhecidos internacionalmente como nicotine pouches). Durante o quadro "Dicas de Saúde", veiculado no programa do jornalista Crispim Neto, o especialista desmistificou a ideia de que o produto seja uma alternativa segura ou eficaz para quem deseja parar de fumar, classificando-o como uma verdadeira armadilha comercial e de saúde pública.
O alerta médico surge em um momento de expansão desses produtos, que são promovidos como substitutos modernos ao tabagismo. Contudo, o Dr. Marcelo revelou que o estímulo ao uso desse dispositivo possui fortes indícios de ser uma estratégia velada das próprias fabricantes de cigarro. "Começou a rodar o mundo, por estímulo da indústria do tabaco, a informação de que você poderia se livrar do fumo usando um sachê com nicotina em vez de usar um adesivo", contextualizou o médico.
Risco de Câncer Bucal e Ilusão do Tratamento
O sachê de nicotina é utilizado de forma intraoral, posicionado pelo usuário entre a gengiva e o lábio para que a substância seja absorvida diretamente pela mucosa bucal. O Dr. Marcelo Sandrim advertiu que essa prática contínua traz graves perigos locais.
"O que se observou é que, a longo prazo, o uso desse sachê pode estimular o surgimento de câncer de boca. Isso ocorre tanto pela presença do corpo estranho posicionado ali na gengiva quanto pelos fortes estímulos químicos que a substância provoca na mucosa", detalhou o especialista.
Além do risco oncológico, o médico pontuou que o sachê atua apenas como uma "distração", falhando no combate real à dependência. O tabagismo envolve dois pilares centrais: o hábito psicológico e a dependência química da nicotina. Ao migrar para o sachê, o usuário simplesmente transfere a rota de consumo da substância, mantendo-se profundamente viciado.
A Estratégia Comercial: Faturamento Duplo
O ponto mais contundente levantado pelo Dr. Marcelo Sandrim diz respeito aos bastidores econômicos dessa dinâmica. De acordo com ele, estudos internos e informais apontam que o sachê não funciona como uma porta de saída para o vício, mas sim como uma ponte de retorno ao fumo tradicional.
"A estratégia da indústria, operada de forma oculta, é fazer com que essas pessoas voltem a fumar a médio e longo prazo. Ou seja, eles ganham dinheiro primeiro com a venda do sachê para quem está tentando largar o cigarro e, depois, continuam faturando quando o indivíduo volta a fumar o cigarro convencional. Há inclusive o risco da pessoa acumular os dois hábitos: ficar com o sachê na boca e ainda fumar", alertou de forma veemente.
Fumo Jamais
Ao encerrar sua participação, o Dr. Marcelo fez um apelo emocional e científico para que a população rejeite qualquer forma de consumo de tabaco ou derivados. "Saia dessa. Fumo jamais, por favor. É um dos agentes tóxicos mais terríveis para o corpo humano, com uma miríade de doenças graves envolvidas", concluiu.
A análise completa do Dr. Marcelo Sandrim e as orientações preventivas de saúde da equipe podem ser assistidas na íntegra no canal do jornalista Crispim Neto no YouTube.
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