• Domingo, 5 de abril de 2026

5 de 15 cidades que investiram no Master tem previdências com deficit

No total, regimes municipais aplicaram R$ 447,5 milhões no banco; risco recai sobre cofres públicos em caso de perdas.

Fundos de previdência de 15 cidades investiram em letras financeiras do Banco Master, de acordo com o Ministério da Previdência Social. O levantamento teve como base dados do Cadprev (Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social).

Dessas cidades, 5 apresentam balanços deficitários, segundo os DRAAs (Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial) — ou seja, os investimentos dos fundos são insuficientes para pagar as aposentadorias. Ao todo, os fundos municipais aplicaram R$ 447,5 milhões na instituição financeira fundada por Daniel Vorcaro.

O maior deficit é o de Maceió (AL), com rombo de R$ 299,4 milhões. O fundo investiu R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master. O município também é o com maior volume aplicado na instituição. Além de Maceió, apresentam deficit os fundos de Campo Grande (MS), Araras (SP), Santa Rita d’Oeste (SP) e Paulista (PE).

Por outro lado, não estão deficitários, apesar de também terem investido no Master, os regimes de previdência de Angélica (MS), Aparecida de Goiânia (GO), Fátima do Sul (MS), Jateí (MS), São Gabriel do Oeste (MS), Cajamar (SP), Santo Antônio da Posse (SP), São Roque (SP), Congonhas (MG) e Itaguaí (RJ).

O governo federal afirmou que Estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir eventuais rombos em fundos de previdência se houver prejuízo. Segundo o Ministério da Previdência, em caso de eventual liquidação da instituição –como aconteceu com o Master– se as contribuições e os recursos acumulados não forem suficientes para pagar aposentadorias no futuro, caberá ao ente público arcar com as obrigações.

As letras financeiras —tipo de investimento utilizado pelos fundos— não contam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Mesmo que cobertas, os valores aplicados superam o limite de cobertura de R$ 250 mil por instituição. Na prática, ao investir em letras financeiras, o fundo empresta recursos ao banco em troca de uma remuneração com juros.

O caso Master é o maior rombo bancário da história do Brasil, com R$ 51,8 bilhões.

O valor contabiliza, além da liquidação do próprio Master, o Will Bank e o Banco Pleno. Os 6 maiores rombos somam R$ 140,7 bilhões, em valores atualizados pela inflação. Desse total, o banco de Daniel Vorcaro corresponde a mais de 1/3.

Esta reportagem foi produzida pela trainee de Jornalismo do Poder360 Camila Nascimento sob supervisão de Sabrina Freire.

Por: Poder360

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